Tomás · ExplicaçõesBlog

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O problema não está no seu filho, está no método: porque é que ver resoluções não chega a Matemática A

Estuda, vê as resoluções, repete os exercícios e na semana seguinte já não sabe. Não é falta de capacidade nem de esforço. É um método que treina a memória e deixa a compreensão de fora.

Chegam os primeiros testes de outubro e a conversa em casa é quase sempre a mesma. "Mas tu estudaste." "Estudei, fiz os exercícios todos." E a nota diz outra coisa. A conclusão a que muitos pais chegam, e a que o próprio aluno chega ainda mais depressa, é que "não é de matemática".

Em dois anos de explicações de Matemática A, vi poucos casos em que essa conclusão estivesse certa. O aluno não tem um problema de capacidade. Tem um método que nunca lhe ensinaram a questionar.

O padrão: ver, repetir, esquecer

O método que quase todos os alunos usam é este. Abre-se o manual ou um site de resoluções, lê-se um exercício resolvido, vem o "ah, é assim", e repete-se o exercício seguinte, que é quase igual. Corre bem. Depois faz-se uma ficha inteira, com a resolução ao lado para confirmar. Corre bem. Fecha-se o livro com a sensação de que a matéria ficou.

Uma semana depois, no teste, o exercício aparece com os dados trocados, ou pergunta a mesma coisa por outras palavras, ou junta duas ideias que foram estudadas em separado. E o aluno bloqueia. Não porque não estudou, mas porque o que treinou foi reconhecer um exercício, e o teste pediu-lhe para o perceber.

Porque é que falha

Ver uma resolução mostra o como: que fórmula se usa, por que ordem, onde se substitui. Não mostra o porquê: porque é que aquela fórmula serve aqui e não outra, o que é que o resultado significa, o que mudaria se o enunciado mudasse. E a Matemática A avalia exatamente o porquê. Os exercícios dos testes e do exame nunca são os do livro. Parecem-se com eles, e é aí que está a armadilha: só consegue adaptar a resolução quem domina o conceito.

Há ainda um segundo problema, mais silencioso. A Matemática A é uma matéria em cadeia. As funções do 10.º ano estão por baixo das derivadas do 11.º e do 12.º; a trigonometria do 11.º volta nos números complexos. Um aluno que passou pelo 10.º ano a imitar resoluções chega ao 11.º com lacunas que não sabe que tem. Estuda mais, e a nota desce na mesma. É a altura em que a frase "não sou de matemática" se instala.

E o esforço, sendo real, joga contra ele. Quando se estuda muito e o resultado não aparece, a explicação mais à mão é que o problema é a pessoa. Não é. É o que se está a fazer com as horas.

A alternativa: conceito antes do cálculo

O método que uso nas minhas aulas tem uma regra simples. Antes de qualquer conta, o aluno tem de conseguir responder a três perguntas sobre o que está a estudar:

  1. O que é? Uma definição por palavras suas, sem fórmulas.
  2. O que significa? O que é que o resultado diz, o que é que muda se um dado mudar.
  3. Onde se usa? Em que tipo de problemas é que isto aparece, dentro e fora da matemática.

Só depois passamos ao cálculo. E o cálculo passa a correr melhor, porque deixa de ser uma sequência de passos a decorar e torna-se a execução de uma ideia que o aluno já tem.

Um exemplo concreto. Quase todos os alunos sabem que, para encontrar o domínio de uma função com uma raiz quadrada, "o que está dentro da raiz tem de ser maior ou igual a zero". Poucos sabem porquê. Quando pergunto "e porque é que não pode ser negativo?", a resposta costuma ser silêncio. Quem sabe que uma raiz quadrada é "o número que, ao quadrado, dá o que está dentro da raiz", e que nenhum número real ao quadrado dá negativo, não precisa de decorar a regra. Reconstrói-a. E quando aparecer uma raiz cúbica, que aceita negativos, não aplica a regra errada.

Isto é mais lento na primeira semana. E é muito mais rápido em todas as outras.

Sinais de que o problema está no método

Se reconhece o seu filho em dois ou três destes, vale a pena mudar a forma de estudar, e não a quantidade:

  • Sabe fazer os exercícios do livro e falha os do teste, que são "diferentes".
  • Diz "já percebi" ao ver a resolução, e não consegue repetir o exercício no dia seguinte sem a ver.
  • Não sabe explicar por palavras suas o que está a calcular, só sabe os passos.
  • Estuda muitas horas e a nota não acompanha.
  • Pergunta "é para usar que fórmula?" antes de ler o problema até ao fim.

O que pode fazer em casa

Não precisa de saber matemática para ajudar. Peça ao seu filho que lhe explique a matéria do próximo teste como se não soubesse nada. Se conseguir, com as palavras dele e sem olhar para o caderno, então a matéria está lá. Se só souber dizer "é assim, faz-se isto e depois isto", encontrou exatamente o ponto onde o estudo está a falhar. Essa é a pergunta que faço em todas as aulas, e é a que distingue decorar de perceber.

A aluna que começou a fazer perguntas

Uma aluna com quem trabalhei chegou à primeira aula convencida de que não era de matemática. Resolvia bem o que já tinha visto e falhava tudo o que mudava um pouco. Não era falta de estudo: estudava mais do que a maioria. Não tinha onde se apoiar quando o exercício mudava.

Começámos do princípio, não da matéria do teste seguinte, mas das ideias que estavam por baixo dela. Em cada aula, antes de qualquer exercício, a pergunta era a mesma: o que é isto e o que significa. As primeiras semanas foram lentas. A mudança não apareceu primeiro na nota. Apareceu numa aula em que ela chegou com perguntas suas, coisas que tinha ficado a pensar sozinha, do tipo "mas se isto é assim, então porque é que no outro exercício…". Nesse dia soube que o método estava a funcionar. A nota veio atrás, como vem sempre quando a matéria está dominada.

Se isto lhe soa familiar

O que descrevo aqui é o que faço em cada aula: encontrar a lacuna, começar pelo conceito e só depois calcular. A primeira aula tem 60 minutos, é gratuita e serve para fazer esse diagnóstico com o seu filho e dizer-lhe, com franqueza, o que encontrei e o que proponho. Os preços, os locais e o que acontece na primeira aula estão nesta página.

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